quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

domingo, 30 de novembro de 2008

O Manto da Rainha Cobra




Para que comer um pepino se poderia comer qualquer coisa agora, ou mesmo optar por não comer nada? Ser comida! Ora, ora, seria muito melhor; como uma maçã, como uma goiaba. Ou como uma melancia, as sementes cuspidas cada vez mais longe, um certo escárnio. Como isso?

Queria trocar a cor da estampa, variar a casa. The Queen Snake. Poderia ser descascada como uma laranja. E cortada ao meio, aberta, dilacerada. Sob a responsabilidade do amor.

Chupada, mordida, cuspida as sementes. Suco, não. Sumo. Soco, seca. Carne molhada. Não me habilito em retornar a ser fruta, não me agrada a natureza morta. Rizomática, somática, predileção pela natureza viva de um gominho bem pequenino do limão.

 

(Nunca resisto ao desejo de arrancar separadamente cada gominho do limão, a sua menor fração, obsessivamente, sem jamais parti-lo).

 

Sobre o amor ou sobre a mesa, cada vez sei menos, on the table.

Amor bisturi numa fria bancada metálica. Pernas abertas. Glúteos expostos.

Não sou biologia.

Não sou psicologia.

Não sou ciência.

Mais que mero conjunto de órgãos organizados em função de uma anatomia.

Organismo autônomo múltiplo.

Os espaços entre as peças do mosaico.

Gozo a multiplicidade dos orgasmos que me reorganizam.

Sob a (ir)responsabilidade do amor.


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Convite de Gala*



Gostou querido? Então tenta levar pra casa. Mas já digo que não sou levável. Não estou disponível (ao menos não por enquanto). Lavável, isso sim. Cem por cento algodão cru de alta tecnologia. Lave-me com sua saliva espessa e outras secreções. Talvez canse a sua língua, da mesma maneira quando existe um objeto estranho em sua boca que o músculo mole precisa tatear.

Meu espírito é todo essa língua curiosa. Mesmo que a fricção esteja causando danos a sua integridade, desestabilizando suas fibras, ele não consegue parar. Mais um pouco se esfola e correrá sério risco de esvair-se em sangue. E, por mais que cicatrize, esse órgão delicado jamais retorna a ser como antes de algum incidente. Além disso, quando o paladar se altera, dificilmente é possível ter prazer com um sabor corriqueiro. Estou passando na beira de diversos precipícios.

A vertigem me excita.

Ahora estoy mirando en la dirección del cierre de tu pantalón. Desde allí exhala un aroma que me estimula a degustarte. Haceme salivar por mis orifícios todos.

Tenho me tornado um tanto exigente: os odores me avisam quando há algo que vale a pena experimentar. Uma enófila do amor... Sei perceber sutilizas como poucos.

Estou pedindo licença para acessar a variedade dos seus sabores, ritmos e texturas, com todas as possíveis variações de intensidade.

Pode ser ou tá difícil?

 

 

* Gala, em seu significado erudito, é uma condição de pompa e circunstância. Já em linguagem vulgar, típica de senhores de mais de 50 anos, gala é sinônimo de esperma.




segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Giorgia Medida Em Gráfico


Seu eu fosse medida e analisada* em gráfico, eu seria assim:


*A análise compreende agosto de 2006 a agosto de 2008.


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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Direito de Resposta À Prévios Julgamentos ou Terei Paciência Para Explicar Eternamente A Que Devo Minha Presença Aqui?


(Ese es un relato de una señorita decidida a superar los prejuicios)




Estou feliz vestida com meu colar de pérolas falsas. Será atrevimento discutir Estética usando um Adorno nos cabelos recém escovados? 
Creio não precisar redundar alguns assuntos, principalmente no que concerne a minha impetuosidade. Sturm und Drang, com um pouco mais de pé no chão, eu diria...
O humor - aquoso - por todo o meu corpo. Um corpo que dança. Cai e levanta. Sim, novamente Vertigo. Quero transmiti-lo a você. Talvez usando um truque barato, mas eficaz. Batom vermelho, um anel de falso rubi comprado a módicos três reais.
Pois questões relevantes são aquelas relacionadas ao amor, o antônimo preciso da morte. E eu tenho o maior de todos, aquele que abrange a todos, o mundo inteiro. 
Tenho um pote de açúcar no armário que só é consumido pelas visitas.
Hoje, pela primeira vez, utilizei corretamente o hashi. Não tenho testemunhas. Comia um salmão.
Se acaso o repartisse em praça pública, seria como dividir o brioche de Maria Antonieta. Uma anti-revolução, explosiva e libertária. Mas é claro que não me atreveria a fazer isso... 
Me atreveria?



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Você me conhece?


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terça-feira, 9 de setembro de 2008

JOGOS E RECREAÇÕES

Júlia: Tenho passado por dificuldades para atingir o ápice da expressão do desejo...

Sabrina: No meu tempo os homens tinham muito interesse em dar uma gozadinha descompromissada...

Júlia: (Concordando) Hoje querem que façamos ora o papel de esposa, ora o de puta.

Sabrina: O que terá ocorrido no seio de nossa geração?

Júlia: Sei lá, menina... (Após breve pausa, continua) A ideologia marxista fez mal pra cabeça dos rapazes, eu acho. No caso do John é isso. Um caso gritante de ideologia usada para apartar o desejo.

Sabrina: Eles não absorveram Marx. Eles não absorveram nada! Eles simplesmente se deixaram esvaziar de sentido!

Júlia: É foda, a família, a tradição e a propriedade que Marx rejeitava, foi o que o marxismo implantou nas pessoas!

Sabrina: Que nojo disso tudo!

Júlia: Esses meninos, o John e o Jeff, por exemplo. Quando se fala em sexo, já vem toda essa renca de coisa junto, nada a ver com nada! Daí é que eles se dizem "namorados sérios", “maridos exemplares”, essas coisas...

Sabrina: Mas o desejo está ali, mais evidente do que tudo!!! Ou será que eles imaginam disfarçar?

Júlia: Quanto mais reprimem, mais perversinha a coisa fica, com ares de proibida, marginalizada. (Sapeca) E nós suscitamos isso... Eles gostam... Porque todo recalcado só faz enfatizar aquilo que recalca, não é?

Sabrina: Gosto de suscitar isso neles. Mas não gosto que tudo permaneça na esfera da irrealidade.

Júlia: Queria sair desse círculo vicioso e simplesmente curtir os momentos de troca intensa!
Sabrina: (Melíflua) Que tipo de troca?

Júlia: Toda - inclusive sexual! Quanto perdemos com isso, homens e mulheres, vivendo relações que só vão até determinado ponto porque não podem ultrapassar uma barreira... sexual!!!!

Sabrina: Concordo!!! E o sexo é uma coisa tão comum, não?

Júlia: Comum sim, ainda que não seja banal. Queria poder trocar mais coisas com o Jeff. Verdade mesmo, agora sem falar de sexo. Profissionalmente, por exemplo...

Sabrina: (Descrente) Tão corriqueira...

Júlia: Pois então! Penso o mesmo! Só que ele tem fobia de aproximação maior! Tudo seria diferente, é claro, se eu não fosse amicíssima de sua esposa. Ele deve é ter medo que ela descubra poder ser livre, como nós.

Sabrina: Sim, sim, mas é que ele, em particular, só funciona de acordo com os manuais de 1920!!! Sexo somente na esfera do oficial ou não oficial, ou seja, com a esposa ou muito longe dela, para que a pobre não possa desconfiar ou ter novas idéias. Fobia à liberdade e ao desejo, é nítido.

Júlia: Acho graça, pois decerto crê que vamos atacá-lo.

Sabrina: E é por isso que temos que atacá-lo. Para que nos respeite mais!!!

Júlia: Ataque em massa, como ele mesmo disse...

Sabrina: Ele vai ver é o ataque na carne!!!

Júlia: Acho inadmissível que o desejo fique nessa esfera, irreal e proibida, obscura.

Sabrina: Porque tudo está, para mim, muito conectado com fracasso indizível de realizar na vida todas as possibilidades de operações que a mente sugere. Conhece o termo "mal resolvido"?

Júlia: Sim.

Sabrina: Recalque mesmo. Acho que vou indo para lá... Marcamos um novo encontro.

Júlia: Sim. Concordo plenamente. Mas... Espere um pouco, deixe-me ligar... Qual é o número mesmo? Da casa?

Sabrina: 2129-4419

Júlia: Só um minuto. Irei com você.

Sabrina: Vou atendê-la.
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